Da terra branca| 2007

 Casa Colombo - Museu de Porto Santo | Ilha de Porto Santo
 

A cerâmica nasce da repetição de um gesto que se perde no tempo.

São habitáculos, receptores  que guardam o que está para além do quotidiano. O que está para além  do imediato.

São gestos que continuam  as mãos de quem  as faz. De quem  se demora a ver para encontrar o perfil certo até se ter a certeza da eternidade.

Da terra branca é como nascem as cerâmicas de Teresa Pavão. São caminhos que abrem lugares secretos, indistintos mas  precisos. São reconhecíveis imagens vividas, gestos breves e recortados de emoções. Muitas das peças têm resíduos, restos de materiais insólitos, de concreções que o tempo ajuda a criar ou a desfazer.

Como na melhor das paisagens, o que fica da terra branca é quase sempre o indizível. O sopro breve de um acidente de percurso, de um empeno e da luz reverberada por um óxido mais antigo ou persistente.

Como a terra a cerâmica é um lugar secreto, com pessoas e lugares particulares, de instantes suspensos pelo fogo.

Da terra branca nasce um encontro marcado com a vida, na perfeita beleza. 

Francisco António Clode Sousa

In Catálogo

 

_técnica: barro branco texturado e vidrado, platina, óxidos de manganês, cobre e ferro, cobre, ferro, madrepérola, rafia e seda.

Da Terra Branca