Tramas e Sortilégios | 1989

Museu Nacional do Traje | Lisboa
 

(...) Conceber tapeçarias como quotidiano culto da felicidade imediata é relembrar as sensações e redescobrir a magia da transformação dos materiais naturais em ornatos e em outros signais da relação do corpo com o ambiente. A memória selecciona, gera símbolos do que nos falta entre o conhecido e o desconhecido. As tapeçarias de Teresa não constituem gratuíta acumulação de materiais, que procuram ser atraentes apenas por serem pouco vulgares na indústria; pelo contrário, para ela são íntimos; e nós compreendemos, sim, que ela parte da carga simbólica deles, das memórias pessoais, da adivinhação de gestos afins noutras pessoas, senão noutros povos. A África arcaica parece estar presente. Como plantas desenraizadas, estas tapeçarias trazem sinais da terra abandonada. Desencadeiam forças telúricas. Exaltam e guardam os "miais da nossa relação com o mundo."(...)

 

Rui Mário Gonçalves

In Catálogo

 

_técnica mista: casca de palmeira, cerâmica, ferro, grafite, pedra, seixos, madeira, bambu, cana, ossos, chifre, tartaruga, concha, picos de ouriço, corda de barco, algodão, kanaf, linho, ceda, cizal, ráfia, palha, fio de coco, fio de palma, sementes africanas, penas.

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